Gravidez na Pandemia: Desafios e Cuidados

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Trouxemos pra você perguntas, respostas e informações sobre cuidados com a gravidez na pandemia:

O vírus e a situação atual

Após o decreto de emergência no dia 20 de março de 2020 e o anúncio da primeira morte por Covid-19 no Brasil, a sociedade paralisou e foi afetada ao extremo pelo coronavírus (Sars-COV-2), seguimos desde então (hoje, 26 de abril de 2021) no combate à covid-19.

O vírus já atingiu milhões de pessoas ao redor do mundo, causando milhares de mortes e uma grande parte aqui no Brasil, o processo de imunização já está em andamento, entretanto, são passos ainda lentos. O que nos causa mais espanto, pois a nova cepas da Covid-19 está atingindo mais pessoas de forma rápida e sua transmissão é tão intensa que já se formou uma nova onda e novos casos de óbitos foram somados, os leitos dos hospitais estão lotados, contudo, novos tratamentos e manobras estão sendo estudados para reverter a situação, voltando ao que vivemos no ano passado: o colapso no sistema de saúde.

Transmissão do vírus e cuidados.

Todos os cuidados e formas de transmissão citados abaixo, devem ser seguidos por todos os indivíduos, incluindo gestantes. O vírus é transmitido por gotículas respiratórias liberadas pelo nariz ou pela boca de pessoa para pessoa ao espirrar, falar ou tossir. As gotículas podem ficar “vivas” em superfícies ou objetos durante horas, sendo possível ser infectado tocando no objeto e levando as mãos nos olhos, boca ou nariz.

O vírus pode ficar incubado durante 14 dias na pessoa infectada, é importante ter atenção, pois, em algumas pessoas os sintomas não se manifestam, o que chamamos de “assintomáticos” e mesmo após os 14 dias de incubação, os exames podem ainda testar positivo para o vírus.

As medidas preventivas não os deixam imunes, mas se segui-las corretamente, as chances de contrair o vírus diminui quase pela metade. 

  • Use máscara ao sair de casa e troque a cada 4 horas: O recomendado é o modelo PFF2/N95, o tecido é reforçado com dupla filtragem e caso não possua este modelo, o ideal é utilizar duas máscaras. Certifique-se que suas mãos estão limpas para colocar a máscara e veja se a máscara possui furos antes de usá-la, ela deve cobrir;
  • Guarde as máscaras sujas em sacos plásticos descartáveis e para guardar as limpas, também utilize sacos plásticos descartáveis, mas nunca o mesmo;
  • Lave a máscara com sabão ou detergente e utilize água quente ou a lave com água fria e depois ferva por 1 minutos, e enxágue com água em temperatura ambiente e deixe secar; 
  • Possua sua própria máscara e não a compartilhe com outras pessoas;
  • Respeite o distanciamento social, no mínimo, 1,5 metros de distância de qualquer pessoa, evitando espaços fechados e aglomerados;
  • Lave frequentemente as mãos com água e sabão ou use álcool (70%) para melhor higienização;
  • Não toque nariz, boca e olhos enquanto estiver fora de casa, somente toque quando as mãos estiverem limpas; 
  • Limpe bem seus objetos pessoas e não compartilhe;
  • Esteja em ambientes bem ventilados e se possível ao ar livre;
  • Mantenha os ambientes bem ventilados.

Caso você esteja infectado ou com sintomas de dor muscular, febre, tosse seca, dificuldade de respirar, obstrução nasal, coriza ou dores gastrointestinais, fique atento e siga as medidas recomendadas em caso desses sintomas:

  • Após 4 dias do primeiro sintoma e a não melhora do mesmo, procure um serviço médico de saúde e faça o teste, enquanto isso, é necessário que você tome as medidas necessárias para não transmitir o vírus para outro indivíduo ou algum membro da sua casa;
  • Ao tossir, espirrar cubra a boca e nariz, logo em seguida higienize as mãos com água, sabão e após utilize o álcool 70%;
  • Procure utilizar lenço descartável e após a primeira utilização o descarte.

Relação entre: Gravidez na pandemia e Covid-19!

Apesar de não existir uma relação direta entre a gravidez e os agravamentos do vírus, o Ministério da Saúde considera as gestantes como parte do grupo de risco da Covid-19, após alguns estudos apontarem que outros vírus como H1N1 (Influenza) e também o coronavírus, aumentam a letalidade em grávidas e puérperas que são mais suscetíveis as infecções em geral.

É recomendado que as grávidas tomem todas as precauções indicadas a todos os indivíduos e que sejam mais rigorosas com o distanciamento social e higienização. Entretanto, para que mães e bebês estejam protegidos nesse momento caótico, os serviços de saúde precisam seguir os protocolos para diminuir os riscos desde o pré-natal até a assistência do parto.

Mantenha o atendimento pré-natal!

O pré-natal são consultas para garantir a qualidade de vida e saúde da gestante e do bebê, é necessário sempre lembrar que é importante manter, mesmo em pandemia, a rotina e cuidados do pré-natal. Entretanto, a atenção deve ser redobrada nas maternidades, o recomendado é que sejam feitas triagens para identificar fatores de riscos e sintomas respiratórios, para as mães que não apresentam sintomas gripais, a rotina deve ser seguida normalmente.

Porém, para as mães que apresentarem sintomas gripais durante a gravidez na pandemia é fundamental o isolamento e adiar todas as consultas e exames por 14 dias. Após o período, a rotina da mulher não deve mudar, os procedimentos devem ser reagendados em tempo para assegurar o direito de realizar todas as consultas e exames necessários para o acompanhamento da gestação e saúde do bebê. Bem como, os cuidados e exames devem ser mantidos e seguidos de forma correta, principalmente as orientações médicas. 

Os exames que devem ser mantidos, são:

  • Pré-Natal (assistência médica prestada durante os 9 meses de gravidez);
  • Exames ginecológicos, conforme as orientações médicas;
  • Ultrassom;
  • Hemograma.

Em caso de gravidez de risco, o médico poderá pedir exames específicos para analisar qualquer complicação.

Covid-19 em gestantes

Apesar disso, a maioria dos casos de gestantes infectadas são de mulheres a partir da segunda metade da gestação, ao que tudo indica a Covid-19 não é considerado o maior risco de complicações em gestantes.

Os sintomas e quadros clínicos nas gestantes são semelhantes ao de qualquer outro adulto infectado, sendo os sintomas mais comuns febre e tosse. De qualquer forma, desde o começo da pandemia a taxa de evolução do vírus em gestantes não passa de 5% em todos os casos confirmados. Isso foi comprovado pelo Ministério da Saúde, ao notar que um grande número de gestantes apresentou alterações na tomografia de tórax e observar que os resultados são semelhantes ao da população não gestante.

Por isso, as autoridades responsáveis recomendam que os mesmos cuidados e protocolos sejam seguidos por todos, sem exceção. Mesmo que ainda não existam dados referentes à evolução de gestações com covid-19, alguns casos por infecções ao coronavírus (SARS e MERS) foram registradas alterações nas placentas e elevação na taxa de RCF.

Perguntas mais frequentes feitas pelas gestantes:

Estou gestante e positiva para Covid-19, posso transmitir o vírus para o meu bebê?
As gestantes positivas para Covid-19 dão a luz a bebês saudáveis e livres do vírus, estudos não encontraram contaminação sanguínea, no cordão ou na placenta. 

Estudos comprovam que o SARS-COV-2 penetra somente nas células através de receptores únicos de uma enzima que é pouco presente nas interfaces materno-fetais, em outras palavras: a capacidade do vírus romper a placenta, é extremamente baixa.

Recém-nascidos são considerados grupo de risco do Coronavírus?
Como o sistema imune de crianças nessa faixa etária ainda está em formação e naturalmente são mais vulneráveis a doenças infecciosas, fazem parte do grupo de risco. Os cuidados devem ser redobrados com higienização e visitas devem  ser evitadas.

O coronavírus aumenta o risco de prematuridade?
Em torno de 47% das gestantes com Covid-19, tiveram partos prematuros após 36 semanas de gestação. Esses dados foram concluídos pela revista oficial da Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Obstetrícia e Ginecologia.

A maioria dos casos de prematuridade foram por sofrimento fetal, o que demonstra e redobra a atenção não somente no pré-natal mas também na internação. 

O coronavírus pode causar má formação fetal?
Poucas mulheres infectadas a partir da segunda metade da gestação, não foi registrado ou relatado, nenhuma má formação que esteja ligada diretamente ao Covid-19 e por seus causadores de outras síndromes como SARS e MERS.

Entretanto, todos os cuidados são necessários para evitar riscos, é recomendado que seja feito no segundo trimestre da gestação o exame ultrassonografia morfológica.

Com a pandemia, como fica o trabalho de parto?
Todas as mudanças já começam desde o primeiro momento na admissão para o parto, as gestantes que apresentarem suspeitas devem ser tratadas como pacientes possíveis de Covid-19, antes mesmo do serviço obstétrico.

Os critérios de triagem consideram suspeitas ou confirmadas de Covid-19 as pessoas que: 

  • Relatar sintomas como febre, tosse, dor de garganta ou dispnéia;
  • Mesmo assintomática, esteve exposta a ambientes onde já se identificou algum caso de Covid-19 ou manteve contato pessoas com suspeita, ou confirmação da contaminação;
  • Apresentou resultado positivo para SARS-CoV-2 nos últimos 14 dias.

Caso a gestante não apresente nenhuma suspeita, será permitido a presença do acompanhante normalmente, desde que o mesmo esteja livre do vírus e fora dos grupos de risco. 

Em caso de confirmação para o vírus na gestante, o acompanhante deverá ser quem esteve com ela nos últimos dias e do seu convívio diário, a ideia é que tenha a permanência de outra pessoa, mas que não aumente as chances de contaminação do indivíduo. Nas duas ocasiões, não é permitido visitas ou troca de acompanhante, evitando que o mesmo evite circular nas dependências do hospital.

Por outro lado, se o acompanhante apresentar qualquer sintoma semelhante ao da Covid-19 durante o trabalho de parto, deve ser afastado e procurar apoio médico em local adequado.

Após o resultado da triagem, são possíveis dois caminhos a serem seguidos:

  1. Em caso de negativo para o vírus, a gestante deve seguir os protocolos vigentes na maternidade e seguir as orientações sobre prevenção do vírus;
  2. Se positivo, a gestante deve ser isolada e se possível, todo o trabalho de parto no pré, durante e após, devem ser feitos no mesmo local.

Posso amamentar com Covid-19?
Após estudos realizados, foi apresentado, em sua grande maioria, as amostras negativas para a Covid-19. Em casos raros são citados positividade no leite, mas a avaliação não confirma se as partículas encontradas eram viáveis, portanto, ainda não há confirmação exata de risco de transmissão via amamentação.

Entretanto, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirma com a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, que se a mãe tem o desejado de amamentar e possui condições clínicas para o ato, é necessário seguir as recomendações abaixo:

  • Ao amamentar, faça o uso de máscara cobrindo nariz e boca;
  • Troque de máscara a cada tosse, espirro ou a cada mamada;
  • No quarto, mantenha distância entre o berço e a cama da mãe;
  • Higienize bem as mãos e as mamas com água e sabonete, bem como as superfícies compartilhadas;
  • Em outras opções e impossibilidade clínica, a mãe pode optar por retirar o leite materno através de uma bomba higienizada, utilizando máscara e o leite deve ser fornecido à criança por pessoa saudável.

Sou gestante e estou com Covid-19, meu parto será cesariana?

Apenas o contágio do vírus covid-19 não é a indicação para cesariana, bem como não havendo qualquer outra indicação clínica que ameace a gestação.

Entretanto, durante a pandemia houve aumentos nas taxas de partos por prematuridade e sofrimento fetal, o indicado é que seja redobrada a atenção durante o parto e sintomas de descompensação materna e/ou fetal no momento da avaliação. Isso inclui orientar a gestante durante o pré-natal sobre a movimentação fetal (mobilograma) e sobre o que fazer em casos de alterações nesse quadro.

Já a antecipação do parto em casos de Covid-19 só é necessário se houver diminuição na capacidade pulmonar da gestante, seguidas de intervenções para estabilizar a oxigenação materna. Dessa forma, gestantes com sintomas leves devem permanecer sob vigilância e nenhuma outra manobra deve ser realizada.


Quais são os cuidados que devo ter no pós-parto?

Em qualquer fase da infecção por Covid-19, as recomendações devev ser seguidas por todas as gestantes durante a pandemia:

  • Após o parto, só é permitido acompanhante caso haja estabilidade clínica da gestante ou condições específicas do recém-nascido ou em casos da mãe ser menor de idade, qualquer outra visita, fora desses casos, devem ser suspensas.
  • Em condições de saúde, a mãe deve receber alta após 24 horas do parto; 
  • Nos primeiros 14 dias após o parto, deve ter atenção redobrada para qualquer sintoma de covid-19;
  • A equipe médica deve identificar o mais rápido possível o surgimento de novos sintomas respiratórios ou de febre e iniciar o isolamento da mãe.

O objetivo deste artigo é orientar todas as gestantes e futuras mães sobre a importância do autocuidado durante e após a gestação. Mesmo que não haja evidências que comprovem que o vírus passe de mãe para bebê, todas as medidas protetivas devem ser tomadas e qualquer sintoma deve ser observado, se possível, por um profissional da saúde.

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